Assim como qualquer tipo de atividade física, o ciclismo fica melhor quando utilizamos a roupa correta. Isso quer dizer que, embora uma bermuda e uma camiseta ventilada já sejam muito melhores para pedalar do que uma calça jeans, uma roupa especial para ciclismo é ainda melhor.

No texto abaixo, você conhecerá os principais detalhes de uma roupa especial para ciclismo, além de entender um pouco melhor sobre as principais tecnologias delas.

1 – A almofada ou forro da bermuda

De cara, o que mais chama a atenção numa roupa de ciclismo é a almofada. Na verdade, além de ter um nome – chamois – ela têm algumas funções muito importantes. A maios obvia delas é proteger o corpo do ciclista da pressão do selim da bicicleta.

Mas, além disso, ela também é feita de um material que permite a transpiração e evita atritos com costuras ou outras pontos comuns em roupas convencionais, que podem lhe machucar durante uma pedalada.

Aqui, vale destacar um detalhe importante: jamais use bermuda de ciclismo com roupas de baixo, como cuecas ou calcinhas.

 

Tecido do forro

  1. Deve ser suave ao toque, para reduzir o atrito com a pele.
  2. Ele deve ser levemente elástico, para se adaptar ao formato do corpo.
  3. Permitir que a pele respire para evitar vermelhidão e rachaduras causadas pelo calor.
  4. Possuir hidrofilicalidade, que é a capacidade de trasportar o suor para longe da pele. Pois, quando molhada, a pele sofre mais lacerações.
  5. O tratamento deve ser bacteriostático, que inibe a reprodução de bactérias, ao mesmo tempo que preserva a flora normal da pele. Tratamentos antibacterianos podem prejudicar a flora da pele, facilitando a proliferação de fungos.
  6. A cor não deve sair com o suor, já que ela pode agredir a pele. Por isso, evite forros que ficam descoloridos rapidamente.

 

Espuma do forro

  1. A espuma deve ter a densidade adequada para suportar o peso e gerar amortecimento entre o selim e o ciclista.
  2. Resiliência para garantir a durabilidade. Forros de baixa qualidade rapidamente ficam deformados.
  3. Assim como o tecido, o forro também deve ser respirável e macio, para adaptar-se ao corpo do ciclista.

 

2 – Bermuda ou bretelle?

Para quem não conhece, o bretelle é basicamente uma bermuda de ciclismo que troca o elástico da cintura por um par de “suspensórios”. Com isso, ele tem vantagens e desvantagens.

Vantagens

-Não aperta a cintura.

-Parte traseira mais alta permite que você pedale com o corpo bem reclinado para frente, sem mostrar a parte superior das nádegas.

-São mais confortáveis de usar no geral.

-Não saem do lugar com facilidade.

-Dão um bom suporte para a barriga.

Desvantagens

-Costumam custar mais caro.

-São mais complicados de tirar e colocar – uma dificuldade extra para ir ao banheiro durante um pedal, principalmente para as mulheres. Opte por modelos femininos com botão de abertura na traseira.

-Exigem um cuidado extra com as alças na hora de lavar e secar.

 

Bermudas e bretelles por categoria

Muitas vezes, a bermuda ou bretelle justo utilizada por ciclistas de estrada é o mesmo de quem pedala nas trilhas, principalmente quem gosta mais da pegada esportiva do cross-country. Porém, para quem curte um pedal mais descompromissado ou mesmo modalidades mais extremas, como o all-moutain, preferem roupas mais largas.

Para isso, o ciclista pode utilizar uma bermuda convencional por cima de uma de ciclismo, ou mesmo investir em bermudas especiais, que já vem com o forro e outros acessórios para ciclismo, mas com o visual de uma bermuda “civil”.

Vale destacar que bermudas mais largas e robustas oferecerem mais proteção em caso de quedas, mas é preciso tomar um pouco mais de cuidado para que elas não se enrosquem em lugar nenhum – elas costumam enroscar mais na parte traseira do selim quando recuamos o peso para trás durante uma descida inclinada.

Lembre-se que existem camisetas e bermudas mais largas, mas feitas com tecidos mais resistentes, especiais para as modalidades mais radicais do ciclismo.

 

Roupas para ciclismo urbano e uso casual

Para pedalar na cidade como meio de transporte ou de forma mais descompromissada, é claro que a roupa de ciclismo torna-se muito menos necessária. Mas, de uma forma ou de outra, uma roupa para pedalar sempre deve ser adequada para o uso.

Procure por roupas resistentes, com boa capacidade de lidar com o suor e que permitam a livre movimentação do corpo.

Inclusive, existem algumas marcas especializadas em roupas de ciclismo com um visual mais causal, para que você possa pedalar pela cidade com as vantagens de uma roupa de ciclismo sem precisar ficar com aquela aparência de atleta.

 

Segunda pele

A segunda pele é uma roupa que fica bem justa ao corpo. Ela deve ser feita de material elástico, flexível e respirável, já que ficará em contato direto com o corpo. Uma boa segunda pele vai oferecer proteção, especialmente, contra o tempo frio e também contra os raios do sol.

Alguns modelos funcionam especialmente bem nos dias quentes, ajudando a eliminar o suor mais rapidamente. Porém, não é todo mundo que consegue se adaptar com elas no verão.

Vale destacar que, se ficar com calor demais, retirar a segunda pele durante o pedal e carrega-lá pode ser um pouco inconveniente.

 

Corta vento

Os coletes ou jaquetas corta vento para ciclismo são excelentes opções para os dias mais frios. Eles são feitas de um material leve, fino e respirável, que podem ser bem compactados para caber no bolso de uma camisa de ciclismo.

Juntamente com a camisa de ciclismo e a segunda-pele, eles formam um sistema de proteção muito eficiente para o ciclista, principalmente nos dias frios.

Via de regra, eles tem um grande zíper na frente, que ajuda a controlar a temperatura e algumas aberturas para a saída do calor e da umidade.

Lembre-se que, apesar de não ser uma capa de chuva, a jaqueta corta vento ajuda demais quando está chovendo. Com ela, você vai ficar molhado, mas ao menos não sentirá o vento gelado no peito. Se o tempo estiver feio, vale a pena carregar uma.

 

Camisetas de ciclismo

Na hora de pedalar, as camisetas de ciclismo são muito melhores do que uma camiseta convencional. Além de serem respiráveis, elas possuem bolsos atrás para carregar alimentos, ferramentas e mais roupas. Outro detalhe é o zíper que permite um controle maior da temperatura.

Na estrada ou nas modalidades de MTB XC, onde o desempenho é o foco, a camiseta de ciclismo deve ser justa para melhorar a aerodinâmica – realmente faz uma boa diferença.

Apesar disso, em algumas modalidades com o enduro e o downhill, onde a vantagem aerodinâmica também faria uma boa diferença, a grande maioria dos pilotos preferem utilizar camisetas mais largas – vale destacar que trata-se de uma opção por estilo que acabou virando regra no downhill.

 

Manguitos e pernitos

Os manguitos e pernitos são proteções adicionais contra o frio, que podem ser retiradas durante um pedal. Além disso, usar um manguito é uma excelente opção de proteção contra os raios solares – existem modelos que não esquentam muito, criados especialmente para isso. Outra vantagem do manguito é pedalar em trechos onde a mata mais fechada pode machucar os braços.

Se for comprar um manguito, procure por modelos que tenham um bom elástico e uma camada de silicone ou outro material na bainha para evitar que ele escorregue. Mesmo assim, fatalmente ele requer uma “puxadinha” de tempos em tempos.

Os pernitos desempenham uma função bem parecida. Porém, infelizmente, eles costumam escorregar bem mais, até pela maior movimentação nas pernas do que nos braços. Por isso, é mais difícil encontrar um pernito funcional.

 

Tocas, bandanas e balaclavas

As tocas e bandanas de ciclismo são boas opções para pedalar no frio. Além disso, elas ajudam a proteger a cabeça de quem tem menos cabelo contra os raios do sol que passam pelos furos do capacete.

Outro detalhe bem legal é que alguns modelos reduzem a quantidade de suor que escorre no rosto – algo que pode resolver o problema daquelas pessoas que ficam com as lentes dos óculos sujas de suor. As bandanas ainda podem ser utilizadas ao redor do pescoço ou no rosto em um dia mais frio.

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